1.5.11

Como diria um dos meus Avôs: - Caramba!

* VIDA

(A uns políticos)

Por que é que combateis? Dir-se-á, ao ver-vos,
Que o Universo acaba aonde chegam
Os muros da cidade, e nem há vida
Além da órbita onde as vossas giram,
E além do Fórum já não há mais mundo!

Tal é o vosso ardor! tão cegos tendes
Os olhos de mirar a própria sombra,
Que dir-se-á, vendo a força, as energias
Da vossa vida toda, acumuladas

Sobre um só ponto, e a ânsia, ao ardente vórtice,
Com que girais em torno de vós mesmos,
Que limitais a terra à vossa sombra...
Ou que a sombra vos toma a terra toda!
Dir-se-á que o oceano imenso e fundo e eterno,
Que Deus há dado aos homens, por que banhem
O corpo todo, e nadem à vontade,
E voguem a sabor, com todo o rumo,
Com todo o norte e vento, vão e percam-se
De vista, no horizonte sem limites...
Dir-se-á que o mar da vida é gota d’água
Escassa, que nas mãos vos há caído,
De avara nuvem que fugiu, largando-a...
Tamanho é o ódio com que a uns e a outros
A disputais, temendo que não chegue!

Homens! para quem passa, arrebatado
Na corrente da vida, n’essas água
Sem limites, sem fundo - há mais perigo
De se afogar, que de morrer à sede!

De que val disputar o espaço estreito,
Que cobre a sombra da árvore da pátria,
Quando são vossos cinco continentes?
De que vale apinhar-se junto à fonte
Que - fininha - brotou por entre as urzes,

Quando há sete mil ondas por cada homem?
De que vale digladiar por uma fita,
Que mal cobre um botão, quando estendida,
Deus pôs sobre a cabeça de seus filhos
A tenda, de ouro e azul, do firmamento?
De que vale concentrar-se a vida toda
N’uma paixão apenas, quando o peito
É tão rico, que basta dar-lhe um toque
Por que brotem, aos mil, os sentimentos?

Oh! a vida é um abismo! mas fecundo!
Mas imenso! tem luz - e luz que cegue,
Inda a águia de Páthmos - e tem sombras
E tem negrumes, como o antigo Caos!
Tem harmonias, que parecem sonhos
De algum anjo dormido; e tem horrores
Que os nem sonha o delírio!

É imensa a vida,
Homens! não disputeis um raio escasso,
Quem vem d’aquele sol; a tênue nota,
Que vos chega d’aquelas harmonias;
A penumbra, que escapa àquelas sombras
O tremor, que vos vem d’esses horrores.
Sol e sombras, horros e harmonias,
De quem é isto, se não é do homem?!
Não disputeis, curvado o corpo todo,
As migalhas da mesa do banquete;
Erguei-vos! e tomai lugar à mesa...

Que há lugar no banquete para todos:
Que a vida não é átomo tenuíssimo,
Que um feliz apanhou, no ar, voando,
E guardou para si, e os outros, pobres,
Deserdados, invejam - é o ar todo,
Que respiramos; e esse, inda mais livre,
Que nos respira a alma - a terra firme.
Onde pomos os pés, e o céu profundo
Aonde o olhar erguemos - é o imenso,
Que se infiltra do átomo ao colosso;
Que se ocultou aqui, e além se mostra;
Que traz a luz dourada, e leva a treva;
Que dá raiva às paixões, e unge os seios
Com o bálsamo do amor; que ao vício, ao crime,
Agita, impele, anima, e que à virtude
Lá dá consolações - que beija as frontes
De povo e rei, de nobre e de mendigo;
E embala a flor, e eleva as grandes vagas;
Que tem lugar, no seio, para todos;
Que está no rir, e está também nas lágrimas,
E está na bacanal como na prece!

Eis a Vida! o festim que Deus, no mundo,
Para os homens armou! para seus filhos!
Forma mais pura do Universo augusto!
Da lira universal nota mais alta!
Do chão infinito seara ardente!
Quando os orbes de luz, que andam na altura,
Sentem a face, às vezes, enublar-se
E o seio lhes revolve íntima mágoa,
É que n’essa hora uma ânsia de venturas,
De amor mais vasto, de mais bela forma,
Uma aspiração vaga os acomete...
Pedem a Deus que estenda a mão piedosa
E os erga a luz maior, à luz do espírito,
E tem inveja ao homem, porque vive!

Da árvore do Eterno pendem frutos,
E frutos aos milhões - estrelas, astros,
Formas e criações que nem se sonham -

Mas só onde seus ramos se mergulham
No espírito vital do infinito,
Só onde a ar puríssimo do Belo
Lhe beija as franças últimas - somente
Lá se abre o lírio augusto, o lírio único,
A flor dos mundos, que se chama vida!

Inundação de crenças... e dilúvio
De dúvidas fatais! hino de glórias...
E rugido feroz! Se és fera, toma
A parte dos rugidos - e, se és homem,
Ergue ao céu tua face, e entoa os hinos!
Se há valor em teu peito, corta as águas
Nadando, d’esse mar de infindas dúvidas:
Ergue-te, luta, arqueja, precipita-te,
Deixa as ondas lavar-te o corpo, ou dar-te
A pancada da morte - mas sê homem!
Sê grande sempre! e, ou Satã ou Anjo,
Blasfema ou exulta... mas não desças nunca!

Porque descer é morte, é sombra, é nada!
É a pedra que dorme: é lodo escuro
Que sombrio fermenta! a alma, se é espírito,
É por que à farta possa encher, crescendo,
O espaço todo e todo o ar infindo!
E, bela ou triste, horrível ou sublime,
Santa ou maldita, a vida é sempre grande!

Rocha por onde os tempos vão seguindo
No caminho que os leva ao infinito...
É tão vasta, que os séculos marchando
Com passos de gigante, há milhões de evos,
Não puderam ainda ver-lhe o termo,
Não puderam gastá-la um pouco, apenas!

É tão fundo esse mar, é tão fecundo,
Que os homens todos, que há milhões de séculos
Nascem da espuma e vêm encher as praias,
Bebendo a longos tragos, não puderam
Fazê-lo inda baixar, sequer um palmo!
..............................................................
E não vos chega para vós? Os tempos
Deixaram cheia aquela taça imensa...
E estes três homens já lhe vêem o fundo!
As idéias serenas e os combates
Da eterna liberdade; o amor e as lutas
E as dores da verdade; as doces lágrimas
E os rugidos altivos; o que os sábios
Nos ensinam, e quanto o olhar ingênuo
Da mulher nos revela - tudo, tudo,
Tudo isto, nos banquetes da existência,
É um bocado apenas para a boca
D’estes Titãs imensos... de seis palmos!
................................................................
Por que é que combateis? O mundo é vasto!
Dá para todos - todos, no seu oano,
Podem talhar à farta e à larga um manto
Com que cobrir-se... e que inda arraste... É vasto!
Erguei somente os olhos! alongai-os
Pelo horizonte! e, além d’esse horizonte,
Há mil e mil como este!
   Se vós tendes

O olhar fito nos pés, aonde a sombra
Em volta de vós mesmos gira apenas,
O que podeis saber d’esse Universo?
Não há olhos que contem tantos orbes!
E cada um d’esses mundos tem mil vidas!
E cada vida tem milhões de afetos,
De paixões, de energias, de desejos!
Cada peito é um céu de mil estrelas!
Cada ser tem mil seres! mil instantes!
E, em cada instante, as criações transformam-se!
E cousas novas a nascerem sempre!

Descei, descei o olhar ao próprio seio!
Como n’um espelho, esse Universo todo
Reflete-se lá dentro! é como um caos
Donde, ao fiat ardente da vontade,
Podem surgir as criações aos centos.
Podeis tirar daí a luz e a treva!
Podeis tirar o bem, e o mal, e o justo,
E o iníquo, e as paixões torvas da terra,
E os desejos do céu!
Pois não vos chega?
Assim queirais viver, que há muita vida!
.................................................................
Alexandre! Alexandre! és tu que choras
Não haver já mais mundo que conquistes...
E sais d’aqui, ó triste! sem ao menos
Ter olhado uma vez dentro em tua alma!
Alexandres inglórios! toda a terra
Acabou, onde a vista vos alcança!
Correis... correis... correis... atrás de um átomo...
E ides deixando, ao lado, os universos!
..............................................................
Mas vós não vedes nada d’isto! nada!
E quereis aos homens ensinar a vida?!

Antero de Quental

* Já me tinha parecido de outras vezes, hoje confirmou-se. Tive um amigo que me ensinou a ler poesia, tal como o pai dele lhe ensinou um dia. Sem pensar no sentido das palavras ou no temor que nos possam provocar, apenas deixando que passem, ao correr do sentir do coração. Tenho pena de não lhe poder agradecer.

Cada vez menos entre "Gregos e Troianos"...


Só agora é que entendi a história da "modéstia" que se despreza, e da "soberba" que se deseja e que por isso se anuncia, no próprio desejo de deslumbre, de si... De repente confirmei tudo tão pequenino que quase vomitei, ainda estou aqui vai não vai :( Não, não tenho pena, já não.

... sabemos todos do que precisamos para se "Agradar a/ao Sí"

_ O Sentimento de Si _ (não sei pq é que os meus links deixaram de ter risquinho por baixo, não gosto de não-saber :(

Nem de propósito, "em meu socorro", telefonou-me em Dia da Mãe, a que sabe ser, mesmo sem saber. - Queres cá vir? Mais modéstia não há, porque é o que é. A caminho, também do Jardim que se come :)

Amor



♥

29.4.11

45 :)

Sem pés
:)
mas com cabeça, sorriso e
♥
(a ver pelas fotos publicadas em baixo, Abril "esparvoádo"... :)

45

de Verdade de mim, ainda que às vezes escondida 
ai a princesa ervilha  :)

28.4.11

Voar

Hortas Urbanas; Biológicos; Escola/educação; Alimentação/nutrição; Casa; Design; Sustentabilidade; Futuro; Ecologia; E-tanto-tanto-mais.

Eixo IX - Desenvolvimento do Sistema Urbano Nacional ?
"- Promover o desenvolvimento urbano policêntrico, reforçando a articulação das cidades com as respectivas áreas envolventes e a qualificação dos espaços urbanos;
- Preservar e valorizar os recursos naturais, a biodiversidade e o património natural;"
(Seja lá o que isto queira dizer, porque a mim parece-me que dá para quase tudo...)

27.4.11

26.4.11

Quase, quase a fazer um ano...

que o pior do medo dos outros, se entranhou em mim.

(2:00)
- Tens medo de quê?
- Não sei… Sou a amígdala, é suposto estar em alerta e avisar-te dos possíveis perigos.
- Mas isso é um exagero… Já me avisaste do perigo, que aliás, devo lembrar-te eu também, não é de morte…
- E depois tu sabes… Que também és a mais corajosa a abraçar a vida nas emoções, sem tabus ou preconceitos, que são tantas, tão para além do medo, boas, leves e merecidas.
- Sim eu sei… Coitado do Adamastor… Sabias que ele ficou assim, bruto e zangado, porque sofreu de desamores?
- Não, ele ficou assim porque lhe mentiram…
- Ah, pois… E a nós? Mentiram-nos?
- Não, mentiram a si próprios e nós não percebemos, ou não quisemos ver.

(7:40) Elevador, passado o Cabo das Tormentas :)

25.4.11

:D, :)

Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...


Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.


Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!


Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,


Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

24.4.11

Clever, clever girl



Não é de todos, não é para todos.
Ainda assim, muito bom de se ouvir e ver :)

23.4.11

De uma quase-budista

*
Avós tradicionais e católicos, pais ateus. A primeira filha, a primeira neta. Morreram-me cedo os meus avós, morreram-me cedo as tradições que me marcaram o sentido de mim de sempre e para sempre. A Páscoa é assim, acho eu, coisa de famílias... Hoje apeteceu-me desejar Boa Páscoa a quem sem saber, generosamente me tem inspirado, mas como não A conheço, desejo aqui a todos um excelente domingo de Páscoa, de Família

* É Dia do Livro e os Livros para mim são vida
  e dentro da vida está o amor
Este  piscou-me-o-olho, ainda antes de ser famoso e muito antes de se "condicionar" aos limites de filme. Viajei tanto dentro de mim, comigo pelo mundo fora...

18.4.11

12.4.11

Projecto de Ogre

E eu que já percebi que na Vida só duas coisas nos movem, o Medo e o Amor...
Elejo a Coragem num sentido também de "Todo", principalmente de si próprio, de ser humano...
É preciso coragem para se Ser.
O segredo, a capacidade de me fazerem rir sem serem palhaços, porque não gosto de palhaços, nem de comédias nem de tragédias.
Quem diria
:D

8.4.11

Coragem...

Balanço em tempo morno

Foi uma semana difícil e intensa de trabalho. Tenho andado a sentir tudo muito e mais denso. Aos poucos a brecha que o FB representa na passagem da informação, da qual fiz questão de me proteger há anos porque tive que optar na pouca margem que tinha de bem estar, está a aumentar e eu começo a sentir os efeitos… Sei que vou acabar por decidir alguma coisa acerca disto. Sei que por feitio não me demoro muito a queixar-me, a anunciar razões e espiar culpas para o meu desconforto. Sou na prática absolutamente defensora do “se estás mal muda-te” ou reorganiza-te. Porque na verdade levo-me muitíssimo a sério, mas também levo os outros tão a sério que mesmo defendendo as minhas razões, como sendo as mais acertadas (para mim, porque minhas), acredito que as dos outros o são igualmente… A coexistência de várias verdades, porque nunca nada é absoluto, é sempre possível. Os pressupostos de vida, de experiência, de sentidos, de valores, de biologia, de percepção, de atitude, de capacidades, de potencial, de cada um, consigo próprio e em interacção com todos e tudo o que nos rodeia, definem a complexidade humana para o bem e para o mal. Acredito também, cada vez mais na coragem, acredito que é minha a responsabilidade de me “esforçar” para ser feliz, sem que isso signifique mudar os outros. E coragem tem sido uma das palavras que ultimamente, naqueles “zooms” ou Palavras-chave do momento, como lhes chamo eu, me tem surgido com mais frequência… Coragem e “provincianismo”, em sentidos muito “rebuscados” meus. Sim, são as duas palavras do momento. E agora que reparo nelas escritas, assim perto uma da outra, reparo o quanto, numa medida vasta, são palavras antónimas.
Tenho tido Invernos difíceis, fisicamente e psicologicamente. Quando se está “sozinha” é mais “pesado”. Faltam abraços, cumplicidades, partilhas, risos e paixões internas que aquecem por dentro e nos protegem do frio de fora. De há uns anos para cá que tenho inveja dos ursos e gostava de poder hibernar. E para mim, que antecipo tudo o que existe de bom, o mês mais difícil não é Fevereiro, mês antes da Primavera. Acho que é Novembro, porque já me pesa o cinzento e ainda só vai a meio. Já só tenho uma vaga ideia de mim a gostar também do frio, enquanto boa possibilidade de estar confortável e serena em casa a ler um bom livro a beber chá e a ouvir a chuva cair. Tão vaga como aquela de mim em Agostos inteiros na praia, debaixo do toldo de todos os anos a conversar com quem teve vidas longas e preenchidas (adoro conversar com quem teve longas vidas de histórias e gosta de as partilhar), de outros tempos e a ler livros da Pearl Buck. Não sou saudosista, não gosto de saudosismos porque são sintomáticos de incapacidade para viver o presente com entusiasmo de futuro que ainda está para vir e porque são pretextos de mau estar. Ainda assim tenho, volta não volta, lampejos de saudades de mim “ali” naquela medida. Acho o mesmo em relação às mágoas. Limitam-nos, condicionam-nos, pesam-nos. Eu sei, sabemos todos, que é assim e por isso ou as negamos ou nos alimentamos delas. Mais uma vez a coragem… No encarar das dores que não conseguimos ou pudemos evitar. Que provavelmente nos apanharam de surpresa, no experimentar do que ainda não tínhamos vivido. A coragem de as olhar de frente com humildade e não fingirmos que não existem, por medo de perdermos o pé, por medo de não aguentar a dor… A coragem de não lhes subestimar a medida e de as atravessar de peito aberto, de preferência a sorrir porque nada é permanente e é bom viver.
Chegou entretanto a Primavera, tem estado calor e as noites estão mornas… Os corpos, todos, os vivos e não só, entram em expansão, e eu gosto tanto. Sou expansiva por natureza, acho que por ser corajosa na forma como me entrego à vida. É tempo de beijos, agora mais do que os abraços de inverno, de riso e de alegria, num entusiasmo que se quer de paixão. Mais uma vez a coragem para se viver de intensidade em intensidade, não necessariamente espalhafatosa, o que nos preenche, alimenta e constrói numa soma de vivências de verdade, que nos permitirão ir desfrutando com gosto e sentido a vida, sempre a olhar para a frente ainda que por vezes, tantas, difícil.
Termina agora um ano que emocionalmente foi muito duro e difícil. Mais uma vez, num olhar rápido, olho para ele e reparo o quanto me fez “crescer” e “avançar” em mim. E também por isso já quase consigo estar grata a tudo o que de menos bom me calhou e do qual não me consegui proteger a tempo.
Vêm lá tempos difíceis, todos sabemos que sim, mas ao mesmo tempo sinto que vêm lá tempos bons para mim  Só tenho que de facto, me proteger do que neste momento não me está a fazer bem, e concentrar-me no que me tem “piscado” o olho de bom por descobrir e viver.
Está tudo à nossa volta e somos nós que decidimos a cada momento onde pousar as emoções e o olhar. E eu que sei e já aqui o referi, que mereço partilhar a existência, com quem não dependa de mim para ser feliz, e sim com quem exista de provas dadas na capacidade de também olhar o mundo assim, estou a andar  :)
Haja coragem para se ser feliz!
Pois... Agora é que são elas... :(

6.4.11

Vida

Fui à procura _deste_ e trouxe mais _este_ que me piscou o olho e que é maravilhoso porque certo no olhar da "Vida".

2.4.11

Estou aPaixonada...

Quero Terra! E agora?

Hoje é, sem dúvida nenhuma, um dos primeiros dias do resto da minha vida :)) O meu universo abriu-se e alargou-se, num "mundo novo", de leituras, de saberes, de pesquisas, de pensares, de origens, de pessoas, de história, de ética, de valores, de saúde, de riqueza, de responsabilidade, de competências, de futuro, de eficácia, de equilíbrio, de tradição, de Amor, de paixão, de emoções, de liberdade, de educação, de sustentabilidade, de nutrição, de saúde, de Vida. :) e isso é maravilhoso!

Éramos cerca de 15. Só a Graça Ribeiro (professora) e mais uma é que têm horta própria, e o arquitecto que trabalha lá no museu. Professora muitíssimo competente, sábia e verdadeiramente entregue à passagem de tudo o que sabe, a quem queira aprender :) Passou no meu olhar, não de juízo de valores mas, muito rebuscado na capacidade de "ver" por vários ângulos e dimensões, nas entrelinhas e não só. É o primeiro curso desta dimensão que faz. Tem experiência de ensino com crianças e de pequenas palestras, mas este é o primeiro assim, mais completo, também mais teórico, ainda que prático Eu gosto de inícios, porque na ingenuidade ou inocência da entrega de quem dá e recebe, resultam normalmente experiências emocionantes e irrepetíveis porque mais espontâneas no experimentar o que não foi feito anteriormente. Que sorte!

Comovente, é, foi a palavra-chave.

Começámos com o tema das Sementes. Embora existissem outros assuntos pelos quais poderíamos ter iniciado, a Graça explicou-nos que a sementeira da maior parte das espécies desta altura, já vai atrasada, porque deveria ter sido em Fevereiro e Março. Foi por isso necessário começar pelas Sementes, para não perder mais tempo. Acho mesmo que o amor à primeira vista aconteceu porque falámos Delas primeiro. (texto a ser revisto e a continuar... Porque agora vou ali à Fnac..., não resisto :)

1.4.11

às vezes o sofá da "casa" arma-se em casa :)

Tomorrow is another day...

Vou levar (:
  • 2 moleskine, que andavam por cá à espera do certo
  • caneta preta permanente
  • lapiseira
  • 6 lápis de cor caran d'ache
  • máq. fotográfica
  • O Borda d´agua
Deixo para uma próxima vez... as botas e tudo o que perceber que é giro e esperto :)

31.3.11

♥

Amar


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

29.3.11

Confirmado!

Sábado estou lá :)

26.3.11

Hora do Planeta

Vida

sábado – cama – água morna com limão – torradas de pão saloio – chá verde – silêncio – luz de Primavera

Dormi bem e sonhei bom. Apareceu-me lá, matei saudades, agora de crescida, e despedi-me…
Espreguiço-me espreito os amigos e o mundo.
Ando com as “antenas” em alerta… O boicote à informação de há mais de três anos está agora a falhar, com as redes sociais. Já não basta não ver canais portugueses e informação na televisão. São os amigos que partilham connosco o que os preocupa e o que lhes chama a atenção. E eu gosto de ouvir os amigos. Espreguiço-me, saio do sonho, penso e pesquiso… Olha, olha… Ajeito a almofadas, aninho-me e… Aprendo. Cada uma das partes deste documentário mostra uma pequena parte do futuro de todos. É a vida, a impermanencia, a vacuidade. E a verdade inegável de que para se sobreviver se tem que pertencer… Simples…

(Para ver com tranquilidade e tempo, como se de uma meditação se tratasse. É da BBC :)








Nasci na cidade e gosto de cidades. Avós e pais também. Ainda assim a prova de que as "antenas", com a amigdala (minha velha amiga) como maestra, já trazem o conhecimento da ordem-natural-de-todas-as-coisas. 

24.3.11

Segredo


Entre leituras, pesquisas e pensamentos, numa ordem-natural-de-todas-as-coisas, fui lá parar... Mesmo a tempo!! :) As inscrições acabam daqui a 4 dias e só havia uma vaga... Estou à espera da confirmação e por isso não conto ainda, mas estou inscrita!! :) A partir de dia 2, vou para lá todos os Sábados de manhã, aprender :))

(A)MAR

17 anos agradecida-pelo-que-me-calhou-em-sorte
Vai ser sempre o meu bebé Margarida.
Parabéns!!
♥
Ainda de olhos fechados, abraçadas dentro da cama dela, junto com o urso...
- Mãe, escrevi ontem há noite, uma carta para mim própria para 2021... Acho que todos o devíamos fazer.
- Também lá vai uma espécie de questionário com quadradinhos para pôr V ou F, sobre o que é que eu consegui e fiz da minha vida, até lá.
- No fim tem a cotação, 3 resultados possíveis, com as respectivas "sansões".
- No resultado melhor, diz lá: Telefonar à mãezinha a dizer que somos fantásticas.
:D

23.3.11

"Merceeira Criativa"

Foto tirada um dia destes, de passagem.
Nunca lá entrei, mas gosto do conceito e da estética e pelo que sei tem um serviço excelente.
Todas as informações e novidades estão no site. O link está no nome.
É na Av. Guerra Junqueiro passem por lá :)

Já tive muitas “fases” na vida, tantas de “sobrevivência”. Numa delas, há cerca de 7/8 anos, fiz-me “merceeira”. A identidade posta à prova mais uma vez, desta vez das três… A responsabilidade enorme, do mais difícil e mais importante para mim, assegurar-lhes na certeza, não das palavras, mas dos gestos, que não precisavam ter medo (tanto o meu…) nem deixar de sonhar, e que é bom viver.
Ora cortavam a electricidade e eu fazia as ilustrações para a PAIS&Filhos à luz das velas, ora cortavam a água e os sorrisos-de-aguarelas nasciam do “luso”. Um romance chique, sorria-lhes eu…
Na urgência que tomava forma de permanência aos meus olhos pasmados, mas não assustados, por elas... A resiliência aos gritos a acudir as emoções também as delas que se queriam estimadas.
Era preciso comer, e tentar travar a escalada do descalabro. Faço o quê, assim tão rápido e tão de repente?
Chamei-lhe “O da Joana”, o novo serviço de entregas na “Sua(nossa) Rua”, sabem, a Vossa vizinha, a do Dálmata. Vai escolher por si os legumes e frutos melhores (pena que ainda não se falavam dos biológicos...) e entregá-los directamente em Vossas casas. O logótipo, as t-shirts azuis escuras, as fichas de encomenda, o conceito, o MARL às 5:30 da manhã (até aí nem sabia que tal coisa existia), onde fiz amigos da terra, sacos kraft, porque a estética conta, uma balança de bolos emprestada, uma máquina de calcular com um rolo de papel (sempre quis ter uma :), a arrecadação feita  armazém diário na logística das entregas, sorrisos, tantos, sempre por elas, também aos vizinhos, agora clientes, que as tinham visto crescer…
Passei a prova, mais uma. Não a do negócio, que o comemos literalmente, na pouca margem que não chegava, para tudo. Aquela das recordações das filhas que se lembram da fase tão difícil mas com alegria e a mãe uma Merceeira Criativa.
Que medo… Como será que O consegui disfarçar (até de mim...)? Até aquele das entrelinhas? Vender batatas e cebolas aos vizinhos?... Dei a cara, e tudo o que tinha. Tem sido sempre assim. Nem me passou pela cabeça ser posta em causa e por isso não fui. Tenho sorte!

Lembro-me sempre de uma mercearia, à saída do metro do Saldanha, no caminho que fazia a pé, vinda do liceu, para casa dos meus avós no Arco Cego. Logo à entrada da porta, sacos grandes de pano, com feijões de todas as cores, onde num gesto de puro prazer, mergulhava as mãos :)

22.3.11

O Céu,

mesmo em dias com nuvens, pode ser belo.
Tal como na vida :)

Um dia

If, Yes (I) Can


Fui lendo linha a linha, palavra a palavra... Despojei-me do Eu, de Mim e olhei-me de fora com humildade. Fico sempre pasmada com o acerto do que não é mérito, mas ainda assim acerto, no identificar do esforço, acertado pelo que ao que parece, também a outros é certo... E ainda assim... Continuo, palavra a palavra... Até tropeçar finalmente no que não está certo e que não sei resolver, porque infelizmente ou felizmente, quem sabe, nunca dependeu nem depende, só de mim...
...
Tua é a Terra
e tudo o que nela existe
e mais ainda,
tu serás um Homem, meu filho!

Yes (I) Can...
E?!
Para que quero eu tanta Terra e Tanto, Tanto, se não for para Partilhar e Dar, no ""esforço do avançar"?
Há a responsabilidade, faltou o (P)ai, falta o Sentido, "a Pica", a (G)raça, o Compromisso, a Diversão, o Amor.
É.

21.3.11

ontem o Primeiro

dia de praia e os primeiros três mergulhos
Boa Primavera :)

20.3.11

Também Solidão

 É.
Picasso - BlueNud

Ontem e hoje

mercado dos biológicos . ler . abraços . ler . sol . ler . lua . ler . praia . ler

Luz

19.3.11

"... de farra"

- Tb quero!
Peço eu à Super Lua.

18.3.11

Ler

A maioria não tem hábitos nem grandes prazeres com a leitura, mas eu não me vou render nunca, até que percebam por eles e não seja preciso explicar-lhes a importância, a liberdade, o amor...
- E que tal construírem uma "gruta" debaixo das mesas e usarem as mantas?... sugeri eu a alguns.
- Também podem levar almofadas e os candeeiros de energia solar...


No silêncio que se fez de repente, nem deram por mim a fotografa-los...
E até a  nintendo deve ter ficado estarrecida/enternecida, eu fiquei
:)

On Air

Nunca gostei de passarinhos e periquitos, daqueles em gaiolas, em casa das pessoas. Para além do preconceito estético-intelectual, a verdade é que para mim não faz sentido nenhum ter prazer em olhar um ser que tem a capacidade de voar, assim enclausurado...
De animais, gosto mais de mamíferos, os pássaros por regra enervam-me e mete-me impressão quando lhes imagino o esqueleto... Não sei porquê, talvez tenha de algum modo que ver com uma antiga fobia da minha mãe por qualquer tipo de aves, mais propriamente por penas. A Pulga quando passeava por Lisboa com a mãe tinha por missão importantíssima, virar as esquinas em primeiro lugar, e assegurar que a mãe não tinha um encontro surpresa com alguma pomba. Sentia-me importante, na altura. Momentos e sensações raros, que apesar de sustentados pela importância da fobia, bons porque verdadeiros.
Ando deliciada há uma semana com o BigBrother, versão passarinho, deste ninho. Já peguei o hábito aos miúdos e todos os dias volta não volta vamos espreita-los, mãe e filhos. Já os alertei, que visto ser em directo, tudo pode acontecer... Sem grandes exageros de possibilidades, acautelo-os para qualquer eventualidade natural. Afinal de contas, são miúdos da cidade e não têm preparação para "cruezas" da natureza... Imagine-se se assim de repente, enquanto a mãe passarinho voa para ir buscar comida, aparece um gato?... - acho que não gostava de ser passarinho!... diz um deles, muito pensativo, enquanto espera que a mãe, faça mais qualquer coisa para além de respirar e olhar em redor, protegendo os filhos do frio...

17.3.11

espécie em vias de extinção...


É uma desgraça para eles e para todos, claro que é. E ainda assim olhares diferentes, vários, são sempre possíveis…
Os 50 Japoneses que tiveram “ordens” para ficar a tentar salvar o Mundo do que nem devia existir, não os vejo como heróis, peço desculpa, imagino-os muito mais facilmente como voluntários kamikasies, que na nossa cultura são dificeis de imaginar e compreender, mas na oriental não.
Quanto à admiração pelo povo ordeiro e humanamente equilibrado, educado e tranquílo, pois… Também me parece numa primeira impressão admirável, numa condição humana de civilização, mas depois questiono-me, a que preço também de humanidade, é que o “sistema” os formata para que nem questionem tanta tecnologia, tanta central… Construída em cima de zona tão instável…
É horrivel o que lhes(nos) está a acontecer, principalmente às crianças de todo o Mundo, porque não podem escolher… Enquanto não nos virmos nesta triste/maravilhosa condição de seres humanos e não nos rendermos à nossa verdadeira “insignificância”, as prioridades nunca serão as certas. Mais “civilizados” ou nem por isso, tanto faz.

15.3.11

_ :) _

14.3.11

Equilíbrio

"O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela distingue-se da crença das multidões ingénuas que consideram Deus um Ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo _ uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai _, um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que sejam. Mas o sábio, bem convencido, da lei de causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado submetido às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses , mas simplesmente com os homens. A sua religiosidade, consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo o seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório. Este sentimento desenvolve a regra dominante da sua vida, da sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento compara-se àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos.".

Einstein, Albert. Como vejo o mundo
Hoje, na correria também da hora de almoço, vou passar na Fnac e comprá-lo.

13.3.11

Nomeações

De áreas e assuntos tão diferentes, de "sentires", de perspectivas, de verdade, de vidas, de sociedade, de justiça, de gerações, de economia, de educação, de ideais, de soluções, de politica, de políticos, de gestão, de recursos, de poupança, de produção, de valores, de competências, de verdade, de trabalho, de investimento, de partidos, de constituição, de país... Depois do dia da Liberdade na Liberdade, o meu cérebro fez um zoom e destacou a palavra Nomeações... É...

nomeação
s. f.
1.  Acto de nomear.
2. Provisão (em emprego).
3. Despacho.

nomear
(latim nomino, -are, chamar pelo nome, chamar, citar, mencionar)
v. tr.
1. Designar pelo nome (ex.: nomeou os alunos um a um). = chamar
2. Dar nome a (ex.: falta nomear a empresa). = denominar, nominar
3. Dizer o nome de (ex.: não conseguiu nomear um presidente da primeira república). = citar, designar
4. Fazer menção ou referência a algo (ex.: nomeou apenas as vantagens). = citar, mencionar, referir
5. Escolher ou despachar para um emprego ou cargo. = instituir
6. Conferir dignidade.
7. Propor para prémio ou concurso. = indigitar
8. Falar de (alguém).
v. tr. e pron.
8. Atribuir ou atribuir-se qualidades. = intitular
v. pron.
9. Dizer o seu nome. = chamar-se